ENEM 2025 PPL, 1º dia · Linguagens

Questão 24 do ENEM 2025 PPL

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ENEM 2025 PPL · questão 24 · caderno azul

S. Exa., o leitor

Deus é testemunha de que nada tenho contra os leitores.
Pelo contrário, se não existissem esses seres abnegados, não haveria livros nem jornais, e eu teria morrido de fome há anos. Mas vamos e venhamos, não podemos nos escravizar a eles, bajulando-os, procurando adivinhar o que pensam ou desejam. Ao contrário dos restaurantes e dos balcões comerciais, nem sempre os fregueses do nosso produto têm razão. Leio com atenção as cartas que as Redações recebem. [...] Raro é o dia em que não aparece um leitor furibundo comunicando que não mais assinará nem lerá o jornal por causa de um editorial, uma notícia ou um comentário que ele não aprovou.

Trabalhei durante anos num jornal que até o dia 1º de abril de 1964 criticava o governo de então. Veio o golpe militar e já no dia 2 o jornal passou a criticar o novo regime que se instalava no país. Naquele tempo, o jornal tinha uns 150 mil assinantes, era troço pra burro. [...] Com a mudança na opinião, a cólera dos leitores foi tal e tamanha que a tiragem chegou à metade. Dois meses depois, o estoque de papel, que deveria durar
um ano, foi consumido pelas rotativas, as vendas triplicaram. O jornal era vendido até no câmbio paralelo.

Não mudara a linha editorial, que era liberal e continuou liberal, defendendo a democracia e o respeito aos direitos humanos violentados pela nova classe que chegara ao poder.

Não tinha nenhum compromisso partidário. Alguns leitores custaram a perceber isso.

CONY, C. H. Folha de S. Paulo, 15 mar. 2011.

Nas crônicas, de um modo geral, a linguagem caracteriza-se pela alternância dos registros formal e informal. O emprego do pronome de tratamento, em “S. Exa., o leitor”, justifica-se pela intenção de

A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica

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Gabarito: C

ironizar o comportamento dos interlocutores.

Por que é C

A crônica de Carlos Heitor Cony inicia-se com o vocativo 'S. Exa., o leitor', utilizando um pronome de tratamento de altíssima formalidade e reverência. No entanto, o restante do texto adota um tom coloquial e direto, utilizando expressões como 'troço pra burro' e 'vamos e venhamos'. Essa dissonância entre o registro formal do título e o conteúdo da crônica, que trata da 'cólera' e da 'escravidão' dos leitores, estabelece um tom de ironia. O autor não busca realmente conferir autoridade ao leitor (A) nem determinar um contexto formal (D), mas sim usar o tratamento elevado para satirizar a postura autoritária e exigente dos leitores descrita no texto.

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Recursos linguísticos e coesão

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Tema: Função da linguagem e ironia em crônicas jornalísticas

Competência de área 7 · habilidade H23: Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.

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