ENEM 2024 · questão 19 · caderno azul
Até ali que sabia das misérias do mundo? Nada.
Aquela noite do Castelo, tão simples, tão monótona, fora uma revelação! Era bem certo que a lágrima existia, que irrompiam soluços de peitos oprimidos, que para alguém os dias não tinham cor nem a noite tinha estrelas! Ela, criada entre beijos, no aroma dos seus jardins, com as vontades satisfeitas, o leito fofo, a mesa delicada, sentira sempre no coração um desejo sem nome, um desejo ou
uma saudade absurda, a saudade do céu, como dizia o dr. Gervásio, e que não era mais que a doida aspiração da artista incipiente, que germinava no seu peito fraco. E aquela mesma mágoa parecia-lhe agora doce e
embaladora, comparando-se à outra, a Sancha, da sua idade, negra, feia, suja, levada a pontapés, dormindo sem lençóis em uma esteira, comendo em pé, apressada, os restos parcos e frios de duas velhas, vestida de algodões rotos, curvada para um trabalho sem descanso nem paga! Por quê? Que direito teriam uns a todas as primícias e regalos da vida, se havia outros que nem por uma nesga viam a felicidade?
Nesse fragmento do romance de Júlia Lopes de Almeida, escrito no cenário brasileiro pós-abolição, a narradora exprime um olhar crítico sobre a
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
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Gabarito: D
exploração da força de trabalho da população negra.Por que é D
A narradora contrasta sua vida privilegiada com a de Sancha, negra explorada em trabalho sem paga: olhar crítico sobre a exploração do trabalho negro pós-abolição.Pegadinhas comuns
- Marcar A (arte de mulheres): a aspiração artística da protagonista é secundária; o olhar crítico recai sobre a exploração do trabalho negro.
Assunto
Movimentos e escolas literárias
Tema: Literatura
Competência de área 5 · habilidade H15: Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.