ENEM 2023 · questão 30 · caderno azul
Enquanto estivemos entretidos com os urubus outras coisas andaram acontecendo na cidade. A Companhia
baixou novas proibições, umas inteiramente bobocas, só pelo prazer de proibir (ninguém podia cuspir pra cima, nem carregar água em jacá, nem tapar o sol com peneira, como se todo mundo estivesse abusando dessas esquisitices); mas outras bem irritantes, como a de pular muro pra cortar caminho, tática que quase todo mundo que não sofria de reumatismo vinha adotando ultimamente, principalmente os meninos. E não confiando na proibição só, nem na força dos castigos, que eram rigorosos, a Companhia ainda mandou fincar cacos de garrafa nos muros. Achei isso um exagero, e comentei o assunto com mamãe. Meu pai ouviu lá do quarto e veio explicar. Disse que em épocas normais bastava uma coisa ou outra; mas agora a Companhia
não podia admitir nenhuma brecha em suas ordens; se alguém desobedecesse à proibição podia se cortar nos cacos; se alguém conseguisse pular um muro quebrando o corte de alguns cacos, ou jogando um couro por cima, era apanhado pela proibição, nhoc — e fez o gesto de quem torce o pescoço de um frango.
Sob a perspectiva do menino que narra, os fatos ficcionais oferecem um esboço do momento político vigente na
década de 1970, aqui representado pelo
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
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Gabarito: A
culto ao medo, infiltrado em situações do cotidiano.Por que é A
As proibições absurdas e os cacos de vidro nos muros, sob o olhar do menino, alegorizam o culto ao medo infiltrado no cotidiano da ditadura.Pegadinhas comuns
- Marcar D (desenvolvimento econômico): o texto enfatiza repressão e medo, não incentivo econômico.
Assunto
Movimentos e escolas literárias
Tema: Literatura
Competência de área 5 · habilidade H15: Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.