ENEM 2024 · questão 31 · caderno azul
Cap. XLVIII / Terpsícore
Ao contrário do que ficou dito atrás, Flora não se aborreceu na ilha. Conjeturei mal, emendo-me a tempo. Podia aborrecer-se pelas razões que lá ficam, e ainda outras que poupei ao leitor apressado; mas, em verdade, passou bem a noite. A novidade da festa, a vizinhança do mar, os navios perdidos na sombra, a cidade defronte com os seus lampiões de gás, embaixo e em cima, na praia e nos outeiros, eis aí aspectos novos que a encantaram durante aquelas horas rápidas.
Não lhe faltavam pares, nem conversação, nem alegria
alheia e própria. Toda ela compartia da felicidade dos outros. Via, ouvia, sorria, esquecia-se do resto para se meter
consigo. Também invejava a princesa imperial, que viria a ser imperatriz um dia, com o absoluto poder de despedir ministros e damas, visitas e requerentes, e ficar só, no mais recôndito do paço, fartando-se de contemplação ou de
música. Era assim que Flora definia o ofício de governar. Tais ideias passavam e tornavam. De uma vez alguém lhe
disse, como para lhe dar força: “Toda alma livre é imperatriz!”. Convidada para o último baile do Império, na Ilha Fiscal, localizada no Rio de Janeiro, Flora devaneia sobre
aspectos daquele contexto, no qual o narrador ironiza a
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
Ver resposta
Gabarito: B
alienação da elite em relação ao fim da monarquia.Por que é B
No último baile do Império (Ilha Fiscal), Flora devaneia e inveja a princesa: o narrador ironiza a alienação da elite diante do fim iminente da monarquia.Pegadinhas comuns
- Marcar A (esperança no futuro regime): a ironia recai sobre a alienação, não sobre expectativas quanto à República.
Assunto
Movimentos e escolas literárias
Tema: Literatura
Competência de área 5 · habilidade H15: Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.