ENEM 2016 · questão 113 · caderno azul
Sem acessórios nem som
Escrever só para me livrar
de escrever.
Escrever sem ver, com riscos
sentindo falta dos acompanhamentos
com as mesmas lesmas
e figuras sem força de expressão.
Mas tudo desafina:
o pensamento pesa
tanto quanto o corpo
enquanto corto os conectivos
corto as palavras rentes
com tesoura de jardim
cega e bruta
com facão de mato.
Mas a marca deste corte
tem que ficar
nas palavras que sobraram.
Qualquer coisa do que desapareceu
continuou nas margens, nos talos
no atalho aberto a talhe de foice
no caminho de rato.
FREITAS FILHO, A. Máquina de escrever: poesia reunida e revista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.
Nesse texto, a reflexão sobre o processo criativo aponta para uma concepção de atividade poética que põe em evidência o(a)
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Gabarito: C
agressivo trabalho de supressão, presente em “corto as palavras rentes/ com tesoura de jardim/ cega e bruta”.Por que é C
O poema 'Sem acessórios nem som' de A. Freitas Filho descreve o processo criativo como um ato de supressão e corte. O eu lírico afirma 'corto os conectivos / corto as palavras rentes / com tesoura de jardim / cega e bruta'. Essa metáfora da jardinagem (cortar rente, usar tesoura) indica um trabalho agressivo de eliminação do supérfluo para chegar à essência da palavra. A alternativa C identifica corretamente essa 'agressivo trabalho de supressão' e cita o trecho exato que o fundamenta. As outras alternativas interpretam outros versos, mas não capturam a concepção central de atividade poética proposta pelo poema, que é a subtração.Assunto
Teoria literária e recursos
Tema: O processo criativo e o trabalho com a linguagem