ENEM 2025 PPL · questão 84 · caderno azul
Essa ideia levou-o a estudar os costumes tupinambás...
Desde dez dias que se entregara a essa árdua tarefa, quando (era domingo) lhe bateram à porta, em meio de seu trabalho. Abriu, mas não apertou a mão. Desandou a chorar, a berrar, a arrancar os cabelos, como se tivesse perdido a mulher ou um filho. A irmã correu lá de dentro, o Anastácio também, e o compadre e a filha, pois eram eles, ficaram estupefatos no limiar da porta.
— Mas que é isso, compadre?
— Que é isso, Policarpo?
— Mas, meu padrinho...
Ele ainda chorou um pouco. Enxugou as lágrimas e, depois, explicou com a maior naturalidade:
— Eis aí! Vocês não têm a mínima noção das coisas da nossa terra. Queriam que eu apertasse a mão... Isto não é nosso! Nosso cumprimento é chorar quando encontramos os amigos, era assim que faziam os tupinambás.
BARRETO, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Ática, 1998.
O diálogo descrito no texto remete aos costumes do(a)
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
Ver resposta
Gabarito: E
racionalidade indígena.Por que é E
O texto apresenta um trecho da obra 'Triste fim de Policarpo Quaresma', de Lima Barreto. O personagem Policarpo, após estudar os costumes tupinambás, adota o choro como forma de cumprimento, rejeitando o aperto de mãos. Ao explicar sua atitude aos amigos, ele afirma que o choro é o cumprimento 'nosso' e que 'era assim que faziam os tupinambás'. Essa atitude remete diretamente à valorização e à prática de costumes e lógicas de pensamento originários das populações indígenas, caracterizando a racionalidade indígena.Assunto
Cultura e identidade
Tema: Diversidade cultural e costumes indígenas
Competência de área 1 · habilidade H3: Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.