ENEM 2025 Belém · questão 32 · caderno azul
Falavam-me sempre no perigo de subir à Favela. Nos seus terríveis valentes. Nos seus malandros que assaltam com a mesma facilidade com que se dá bom-dia.
O maior perigo que eu encontrei na Favela foi o risco, a cada passo, de despencar-me de lá de cima pela pedreira ou pelo morro abaixo.
Aquela gente, que não tem nada, dá uma profunda lição de alegria àqueles que têm tudo.
Sem higiene, sem conforto, naqueles pequenos casebres [...], que se arriscam, a cada instante, a voar com o vento ou despencar-se lá de cima; aquela população de homens valentes — estivadores, carvoeiros, embarcadicos — e de mulheres anemiadas e fracas, e de crianças mal alimentadas e em trapos, cria porcos, bebe cachaça, toca cavaquinho e canta!...
COSTALLAT, B. Mistérios do Rio. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, 1990.
Em 1924, quando foi publicada essa crônica, predominava uma visão estigmatizada e preconceituosa sobre as comunidades no Rio de Janeiro da Primeira República. Nesse trecho, essa percepção é
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Gabarito: D
relativizada por uma compreensão ambivalente do morro, constituído por mazelas e alegrias.Por que é D
O enunciado pergunta como a visão estigmatizada e preconceituosa sobre as favelas é tratada no trecho. O texto apresenta uma visão ambivalente: por um lado, descreve as mazelas e a miséria ('sem higiene, sem conforto', 'crianças mal alimentadas e em trapos'), o que poderia reforçar o estigma; por outro, destaca a alegria e a vitalidade da comunidade ('dá uma profunda lição de alegria', 'toca cavaquinho e canta'). Essa combinação de aspectos negativos e positivos relativiza a visão puramente negativa, mostrando a complexidade da vida no morro. Portanto, a percepção é relativizada por uma compreensão ambivalente.Assunto
Compreensão e relação entre textos
Tema: Interpretação de texto e visão de mundo
Competência de área 5 · habilidade H17: Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.