ENEM 2023 · questão 22 · caderno azul
Alguém muito recentemente cortara o mato, que na
época das chuvas crescia e rodeava a casa da mãe de Ponciá Vicêncio e de Luandi. Havia também vestígios de que a terra fora revolvida, como se ali fosse plantar uma pequena roça. Luandi sorriu. A mãe devia estar bastante forte, pois ainda labutava a terra. Cantou alto uma cantiga que aprendera com o pai, quando eles trabalhavam na terra dos brancos. Era uma canção que os negros mais velhos ensinavam aos mais novos. Eles diziam ser uma cantiga de voltar, que os homens, lá na África, entoavam sempre, quando estavam regressando da pesca, da caça ou de
algum lugar. O pai de Luandi, no dia em que queria agradar à mulher, costumava entoar aquela cantiga ao se aproximar de casa. Luandi não entendia as palavras do canto; sabia, porém, que era uma língua que alguns negros falavam ainda, principalmente os velhos. Era uma cantiga alegre. Luandi, além de cantar, acompanhava o ritmo batendo com as palmas das mãos em um atabaque imaginário. Estava de regresso à terra. Voltava em casa. Chegava cantando, dançando a doce e vitoriosa cantiga de regressar.
A leitura do texto permite reconhecer a “cantiga de voltar” como patrimônio linguístico que
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
Ver resposta
Gabarito: C
preserva a ancestralidade africana por meio da tradição oral.Por que é C
A cantiga em língua africana, ensinada dos mais velhos aos mais novos, preserva a ancestralidade africana pela tradição oral.Pegadinhas comuns
- Marcar A (língua extinta): o texto diz que alguns negros, sobretudo os velhos, ainda falam essa língua.
Assunto
Patrimônio linguístico
Competência de área 6 · habilidade H20: Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional.