ENEM 2022 · questão 12 · caderno azul
Papos
— Me disseram...
— Disseram-me.
— Hein?
— O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
— Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?
— O quê?
— Digo-te que você...
— O “te” e o “você” não combinam.
— Lhe digo?
— Também não. O que você ia me dizer?
— Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. [...]
— Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
— O quê?
— O mato.
— Que mato?
— Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem? Pois esqueça-o e para-te. Pronome no lugar certo é elitismo! — Se você prefere falar errado...
— Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
Nesse texto, o uso da norma-padrão defendido por um dos personagens torna-se inadequado em razão do(a)
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
Ver resposta
Gabarito: B
contexto de comunicação em que a conversa se dá.Por que é B
No diálogo informal e oral, um personagem insiste na colocação pronominal da norma-padrão ("disseram-me", "mato-lhe"), chegando a construções artificiais ("matar-lhe-ei-te"). O uso torna-se inadequado por causa do contexto de comunicação (conversa espontânea).Pegadinhas comuns
- Atribuir a inadequação à "diferença de escolaridade" ou "nível social", e não ao contexto informal.
- Confundir o conflito com "choque entre gerações".
- Achar que a norma-padrão seria sempre a forma correta, ignorando a adequação ao uso.
Assunto
Variação linguística e adequação
Tema: Variação linguística — adequação ao contexto
Competência de área 8 · habilidade H27: Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.