ENEM 2022, 1º dia · Linguagens

Questão 24 do ENEM 2022

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ENEM 2022 · questão 24 · caderno azul

O complexo de falar difícil

O que importa realmente é que o(a) detentor(a) do notável saber jurídico saiba quando e como deve fazer uso desse português versão 2.0, até porque não tem necessidade de alguém entrar numa padaria de manhã com aquela cara de sono falando o seguinte: “Por obséquio, Vossa Senhoria teria a hipotética possibilidade de estabelecer com minha pessoa uma relação de compra e venda, mediante as imposições dos códigos Civil e do Consumidor, para que seja possível a obtenção de 10 pãezinhos em temperatura estável para que a relação pecuniária no valor de R$ 5,00 seja plenamente legítima e capaz de saciar minha fome matinal?”. O problema é que temos uma cultura de valorizar quem demonstra ser inteligente ao invés de valorizar quem é. Pela nossa lógica, todo mundo que fala difícil tende a ser mais inteligente do que quem valoriza o simples, e 99,9% das pessoas que estivessem na padaria iriam ficar boquiabertas se alguém fizesse uso das palavras que eu disse acima em plenas 7 da manhã em vez de dizer: “Bom dia! O senhor poderia me vender cinco reais de pão francês?”.
Agora entramos na parte interessante: o que realmente é falar difícil? Simplesmente fazer uso de palavras que a maioria não faz ideia do que seja é um ato de falar difícil? Eu penso que não, mas é assim que muita gente age. Falar difícil é fazer uso do simples, mas com coerência e coesão, deixar tudo amarradinho gramaticalmente falando. Falar difícil pode fazer alguém parecer inteligente, mas não por muito tempo. É claro que em alguns momentos não temos como fugir do português rebuscado, do juridiquês propriamente dito, como no caso de documentos jurídicos, entre outros.

Nesse artigo de opinião, ao fazer uso de uma fala rebuscada no exemplo da compra do pão, o autor evidencia a importância de(a)

A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica

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Gabarito: E

adequação da linguagem à situação de comunicação.

Por que é E

O autor ironiza quem pediria pão às 7h com linguagem jurídica rebuscada em vez de dizer "O senhor poderia me vender cinco reais de pão?". O exagero evidencia a importância da adequação da linguagem à situação de comunicação.

Pegadinhas comuns

  • Tomar o exemplo como defesa do "falar difícil"/saber jurídico (A, C), justamente o que o texto critica.
  • Restringir a mensagem à coesão em documentos jurídicos (D).
  • Confundir a crítica com valorização da inteligência do falante (B).

Assunto

Variação linguística e adequação

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Tema: Variação linguística — adequação ao contexto

Competência de área 8 · habilidade H26: Relacionar as variedades lingüísticas a situações específicas de uso social.

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