ENEM 2019 PPL · questão 54 · caderno azul
Lembro, a propósito, uma cerimônia religiosa a que assisti na noite de Santo Antônio de 1975 quando presente a uma festa em honra do padroeiro. Ia a coisa assim bonita e simples, até que, recitadas as cinco dezenas de ave-marias e os seus padre-nossos, chegou a hora do remate com o canto da salve-rainha. O capelão começou a entoar nesse instante hino à Virgem, em latim “Salve Regina, mater misericordiae”, e, o que eu estranhei, foi seguido de pronto sem qualquer hesitação pelos presentes. Depois veio o espantoso para mim: a reza, também entoada, de toda a extensa ladainha de Nossa Senhora igualmente em latim. Eu olhava e não acabava de crer: aqueles caboclos que eu via mourejando de serventes nas obras do bairro estavam agora ali acaipirando lindamente a poesia medieval do resposo.
BOSI, A. Dialética da colonização. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.
O estranhamento do autor diante da cerimônia relaciona-se ao encontro de temporalidades que
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
Ver resposta
Gabarito: E
revelam permanências culturais.Por que é E
O texto de Antonio Carlos Bosi descreve a surpresa do autor ao ver trabalhadores braçais (caboclos) cantando em latim a ladainha de Nossa Senhora. O estranhamento surge do contraste entre a origem medieval e litúrgica do latim (temporalidade antiga) e a sua prática atual por uma comunidade popular brasileira (temporalidade presente). Esse encontro não questiona os ritos, mas demonstra como tradições culturais e religiosas se mantêm vivas e são transmitidas através das gerações, evidenciando a permanência cultural.Assunto
História cultural e memória
Tema: Religiosidade popular e memória cultural no Brasil
Competência de área 1 · habilidade H5: Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em diferentes sociedades.