ENEM 2015 PPL · questão 116 · caderno cinza
Ai se sêsse
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém se acontecesse
De São Pedro não abrisse
A porta do céu e fosse
Te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse
Pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caísse
E o céu furado arriasse
E as virgi toda fugisse
ZÉ DA LUZ. Cordel do Fogo Encantado. Recife: Álbum de estúdio, 2001.
O poema foi construído com formas do português não padrão, tais como “juntim”, “nois”, “tarvês”. Essas formas legitimam-se na construção do texto, pois
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Gabarito: B
estão presentes na língua e na identidade popular.Por que é B
O poema 'Ai se sêsse', de Zé da Luz, é um cordel que utiliza a linguagem popular e regional brasileira. As formas não padrão citadas, como 'juntim', 'nois' e 'tarvês', são características da fala do povo e da tradição oral. Elas legitimam-se no texto porque a literatura de cordel tem como objetivo retratar a realidade e a identidade popular, utilizando o vocabulário e as estruturas gramaticais típicas dessa comunidade. Portanto, essas formas não são meros erros ou escolhas de um autor não escolarizado, mas sim elementos que conectam a obra à língua e à identidade popular.Assunto
Variação linguística e adequação
Tema: Variação linguística e identidade cultural