ENEM 2024 · questão 24 · caderno azul
— Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!
Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco,
apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala.
— Não pode? — perguntei com assombro. E por quê?
Azevedo Gondim respondeu que não pode porque
não pode.
— Foi assim que sempre se fez. A literatura é a
literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia. Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita que
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
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Gabarito: D
contrapõe o preciosismo linguístico a situações de coloquialidade.Por que é D
Gondim defende uma escrita rebuscada, distante da fala ('arranjar palavras com tinta é outra coisa'), e Paulo o acusa de 'pernóstico', porque ninguém fala daquele jeito. O debate opõe o preciosismo linguístico à coloquialidade.Pegadinhas comuns
- Marcar A (diferencia a produção artística do registro padrão): Gondim não separa a literatura da norma padrão; ele a separa da fala do dia a dia. O que está em jogo é o rebuscamento contra a coloquialidade.
- Marcar C (defende a relação entre a fala e o estilo): essa é só a posição de Paulo; o fragmento põe em cena o confronto entre as duas posições.
Assunto
Teoria literária e recursos
Tema: Literatura
Competência de área 8 · habilidade H25: Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.