ENEM 2022 · questão 66 · caderno azul
TEXTO I
A primeira grande lei educacional do Brasil, de 1827, determinava que, nas “escolas de primeiras letras” do Império, meninos e meninas estudassem separados e tivessem currículos diferentes. No Senado, o Visconde de Cayru foi um dos defensores de que o currículo de matemática das garotas fosse o mais enxuto possível. Nas palavras dele, o “belo sexo” não tinha capacidade intelectual para ir muito longe: — Sobre as contas, são bastantes [para as meninas] as quatro espécies, que não estão fora do seu alcance e lhes podem ser de constante uso na vida.
TEXTO II
No Senado, o único a defender publicamente que
as meninas tivessem, em matemática, um currículo idêntico ao dos meninos foi o Marquês de Santo Amaro (RJ). Ele argumentou: — Não me parece conforme, às luzes do tempo em que vivemos, deixarmos de facilitar às brasileiras a aquisição desses conhecimentos [mais aprofundados de matemática]. A oposição que se manifesta não pode nascer senão do arraigado e péssimo costume em que estavam os antigos, os quais nem queriam que suas filhas aprendessem a ler.
Os discursos expressam pontos de vista divergentes respectivamente pela oposição entre
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
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Gabarito: C
dominação de corpos e igualdade humana.Por que é C
O Texto I (Cayru) defende currículo reduzido para as meninas, supondo-as incapazes (dominação/controle sobre as mulheres); o Texto II (Santo Amaro) defende currículo idêntico ao dos meninos (igualdade humana). A oposição é entre dominação de corpos e igualdade humana.Pegadinhas comuns
- Reduzir a divergência a "liberdade de gênero × controle social", perdendo a chave dominação × igualdade.
- Escolher "exclusão de competências e participação política", que desloca o eixo do debate (educação/igualdade).
- Tratar os dois textos como convergentes.
Assunto
História cultural e memória
Tema: História da educação — gênero e currículo
Competência de área 3 · habilidade H14: Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políticas e econômicas.