ENEM 2022 · questão 41 · caderno azul
O bebê de tarlatana rosa
— [...] Na terça desliguei-me do grupo e caí no mar alto da depravação, só, com uma roupa leve por cima da pele e todos os maus instintos fustigados. De resto a cidade inteira estava assim. É o momento em que por trás das máscaras as meninas confessam paixões aos rapazes, é o instante em que as ligações mais secretas transparecem, em que a virgindade é dúbia, e todos nós a achamos inútil, a honra uma caceteação, o bom senso uma fadiga. Nesse momento tudo é possível, os maiores absurdos, os maiores crimes; nesse momento há um riso que galvaniza os sentidos e o beijo se desata naturalmente. Eu estava trepidante, com uma ânsia de acanalhar-me, quase mórbida. Nada de raparigas do galarim perfumadas e por demais conhecidas, nada do contato familiar, mas o deboche anônimo, o deboche ritual de chegar, pegar, acabar, continuar. Era ignóbil. Felizmente muita gente sofre do mesmo mal no carnaval.
No texto, o personagem vincula ao carnaval atitudes e reações coletivas diante das quais expressa
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Gabarito: B
atração e asco perante atitudes libertinas.Por que é B
O personagem descreve o carnaval como momento de libertinagem coletiva ao qual se entrega com "ânsia quase mórbida", mas o classifica como "ignóbil". Expressa, assim, atração e asco perante atitudes libertinas.Pegadinhas comuns
- Ler apenas a "consagração da alegria do povo" (A), ignorando o asco/juízo negativo.
- Reduzir a intenção de "confraternizar com desconhecidos" (D), sem a repulsa moral.
- Tomar o texto como reconhecimento do carnaval como manifestação cultural (E).
Assunto
Teoria literária e recursos
Tema: Literatura — João do Rio e o carnaval
Competência de área 5 · habilidade H17: Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.