ENEM 2017 PPL · questão 10 · caderno azul
O exercício da crônica
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo.
MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.
Nesse trecho, Vinicius de Moraes exercita a crônica para pensá-la como gênero e prática. Do ponto de vista dele, cabe ao cronista
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
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Gabarito: E
ressignificar o cotidiano pela escrita.Por que é E
O texto de Vinicius de Moraes descreve o processo de criação do cronista. Diferente do ficcionista, que é 'levado a tapas' por personagens inventadas, o cronista parte de um 'fato qualquer', de preferência colhido no noticiário (o cotidiano). O objetivo do cronista é usar suas 'artimanhas peculiares' para 'injetar um sangue novo' nesse fato. Isso significa que ele não apenas reproduz a notícia (alternativa B), mas a transforma e lhe dá um novo sentido através da sua escrita e imaginação. Portanto, a ação que cabe ao cronista, segundo o autor, é ressignificar o cotidiano pela escrita.Assunto
Gêneros textuais e função social
Tema: Gênero crônica e sua função social
Competência de área 5 · habilidade H16: Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.