ENEM 2014 3ª aplicação · questão 116 · caderno cinza
Retrato do artista quando coisa
A menina apareceu grávida de um gavião.
Veio falou para a mãe: o gavião me desmoçou.
A mãe disse: Você vai parir uma árvore para
a gente comer goiaba nela.
E comeram goiaba.
Naquele tempo de dantes não havia limites
para ser.
Se a gente encostava em ser ave ganhava o
poder de alçar.
Se a gente falasse a partir de um córrego
a gente pegava murmúrios.
Não havia comportamento de estar.
Urubus conversavam sobre auroras.
Pessoas viravam árvore.
Pedras viravam rouxinóis.
Depois veio a ordem das coisas e as pedras
têm que rolar seu destino de pedra para o resto
dos tempos.
Só as palavras não foram castigadas com
a ordem natural das coisas.
As palavras continuam com seus deslimites.
BARROS, M. Retrato do Artista Quando Coisa. Rio de Janeiro: Record, 1998.
No poema, observam-se os itens lexicais desmoçou e deslimites. O mecanismo linguístico que os originou corresponde ao processo de
A a E ou 1 a 5 marcam, Enter verifica
Ver resposta
Gabarito: B
neologismo, que consiste na inovação lexical, usada para o refinamento estilístico do texto poético.Por que é B
“Desmoçou” e “deslimites” são criações lexicais usadas para explorar os sentidos e as possibilidades inventivas das palavras. Esse processo é chamado de neologismo.Assunto
Recursos linguísticos e coesão
Tema: Neologismos na linguagem poética